MÉTODO AFP

Língua Portuguesa

3 casos de verdade do mesmo assunto, do jeito que a banca cobra. Em cada um: leia, escolha a sua resposta, e só então abra o que a lei diz.

O caso

Numa segunda-feira, na escola de formação, o instrutor Anísio pediu silêncio. Quatro palavras aparecem no mesmo texto, todas com acento na escrita do redator: "ítem", "jibóia", "heróico" e "saída".

Qual delas está acentuada corretamente?

Por que essa é a resposta

Apenas "saída": o "i" tônico sozinho na sílaba, depois de vogal, forma hiato e recebe acento.

Saída tem hiato: o í é tônico, está sozinho na sílaba e vem depois de vogal — regra que sobreviveu ao Acordo Ortográfico. As outras três estão erradas: item é paroxítona terminada em "-em", que não se acentua; e jiboia e heroico perderam o acento no ditongo aberto oi de paroxítonas, mudança trazida pelo Acordo.

E por que as outras não servem

  • "Jibóia", pelo ditongo aberto. O Acordo Ortográfico retirou o acento dos ditongos abertos "ei" e "oi" das paroxítonas: jiboia, ideia, assembleia.
  • "Ítem", por ser paroxítona terminada em consoante. Paroxítonas terminadas em "-em" e "-ens" não recebem acento: item, itens, jovem, jovens.
  • "Heróico", pela mesma razão. Heroico é paroxítona com ditongo aberto "oi" e, pelo Acordo, deixou de ser acentuada.

O caso

Numa segunda-feira, no quartel. Num relatório, o redator escreve que o militar "flagrou o suspeito em flagrante delito e o deteve preventivamente até a chegada da autoridade". O revisor aponta imprecisão conceitual.

Onde está o problema?

Por que essa é a resposta

"Deteve preventivamente" é impreciso: a prisão preventiva é decretada por juiz, e o que houve na situação foi prisão em flagrante.

É erro de adequação conceitual, o pior tipo em documento que instrui processo. Prisão preventiva é medida cautelar decretada pelo juiz, com requisitos próprios. O relatório descreve alguém preso em situação de flagrância — e o termo técnico correto é prisão em flagrante.

E por que as outras não servem

  • Não há problema algum: os termos são usados como sinônimos na prática policial e o sentido do relatório permanece claro. Não são sinônimos. Prisão preventiva é medida cautelar decretada por juiz; prisão em flagrante decorre da situação de flagrância. Trocar uma pela outra descreve outro ato jurídico.
  • O problema é a ausência de menção ao horário do fato, informação obrigatória em qualquer relatório de ocorrência policial. A falta do horário é outra coisa. A imprecisão apontada pelo revisor está no conceito: chamar de preventiva uma prisão que foi em flagrante.
  • O erro é apenas estilístico: a repetição de "flagrou" e "flagrante" na mesma frase prejudica a fluidez do texto. A repetição incomoda, mas não é o defeito grave. O que compromete o documento é o termo jurídico errado, que muda a natureza do ato descrito.

O caso

Numa terça-feira de manhã, numa oficina de redação do curso de formação, em Belo Horizonte, o instrutor Nicolau propôs a tese: "As câmeras corporais devem ser adotadas na atividade policial." Quatro alunos escreveram um argumento cada. Um citou que outros países já usam; outro disse que a câmera é equipamento moderno; outro falou do salário da categoria; e o quarto escreveu que a câmera produz registro independente da versão dos envolvidos.

Qual dos quatro argumentos sustenta melhor a tese?

Por que essa é a resposta

O quarto: a câmera produz registro independente da versão dos envolvidos, reduzindo tanto a acusação infundada quanto o abuso não comprovado.

Argumento relevante é aquele que, se o leitor aceitar, obriga a aceitar a tese. Esse diz por que a câmera funciona, e liga o efeito aos dois lados da relação. Os demais falham em qualidades distintas: o do salário não é pertinente — está fora do tema; o do equipamento moderno é pertinente mas irrelevante; e o de outros países é pertinente e fraco, porque outros países fazerem algo não prova que funcione.

E por que as outras não servem

  • O primeiro: outros países já adotaram a medida, o que demonstra sua eficácia comprovada. É argumento pertinente — fala do tema —, mas irrelevante: o fato de outros países fazerem algo não prova que funcione. Falta a ele dizer por que a medida produz o resultado que se pretende.
  • O terceiro: o salário da categoria precisa acompanhar as novas exigências tecnológicas. O argumento pode até ser verdadeiro, mas está fora do tema — falta-lhe pertinência. Fuga ao tema é o erro que mais derruba nota em prova discursiva, e é o primeiro que o corretor procura.
  • O segundo: a câmera corporal é um equipamento moderno e atualizado. É verdadeiro e está no tema, mas não sustenta nada. Modernidade não é razão: nada nela obriga o leitor a concluir que a adoção deva ocorrer.

Onde isso cai na prova

Este ponto está no edital de CFS, CFSd, CHO.

Língua Portuguesa · Acentuação gráfica · Adequação conceitual: usar o termo certo, no sentido certo · Argumentação: pertinência, relevância e articulação

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O que você acabou de fazer

Isso não é uma amostra escrita para o anúncio. É como todo ponto do edital do CFS · CFSd · CHO é escrito aqui dentro.

Em cada um deles, a mesma corrente — e ela nunca vem pela metade:

  1. O ponto do edital Cada item do seu edital vira uma aula própria. Nada de assunto genérico servindo a cinco concursos.
  2. A ocorrência A situação primeiro, como ela chega na rua ou no processo. Você decide antes de saber a regra.
  3. A lei seca O texto integral do dispositivo, conferido contra a fonte oficial. Sem paráfrase.
  4. A armadilha da banca A palavra que a banca troca para derrubar você — apontada dentro do artigo, com o certo e o errado lado a lado.
  5. A questão Questão da banca e questão nossa no mesmo ponto, cada uma com a origem declarada.
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