MÉTODO AFP

Língua Portuguesa

3 casos de verdade do mesmo assunto, do jeito que a banca cobra. Em cada um: leia, escolha a sua resposta, e só então abra o que a lei diz.

O caso

Numa quarta-feira, na escola de formação, o instrutor Anísio espalhou os papéis. Quatro textos chegam à mesa do instrutor: um boletim de ocorrência, um editorial de jornal defendendo mudança na lei, um manual de instruções de equipamento e um conto publicado em revista.

Como se classificam quanto à tipologia predominante?

Por que essa é a resposta

Narração no boletim e no conto; dissertação-argumentação no editorial; injunção no manual.

A tipologia se define pela estrutura interna, não pelo suporte. O boletim e o conto narram fatos em sequência temporal — são narrativos, ainda que um seja oficial e o outro literário. O editorial defende uma tese com argumentos: dissertativo-argumentativo. O manual instrui, orienta a ação: injuntivo. Gênero é outra coisa — boletim, editorial, manual e conto são gêneros distintos que se apoiam nesses tipos.

E por que as outras não servem

  • O manual é descritivo, porque apresenta as partes do equipamento. A tipologia predominante do manual é injuntiva: ele orienta o leitor a agir de determinada forma.
  • Todos são gêneros textuais distintos e, por isso, de tipologias distintas. Gêneros distintos podem compartilhar a mesma tipologia — boletim e conto são gêneros diferentes, ambos narrativos.
  • O boletim é dissertativo, por ser texto oficial. Ser oficial não define tipologia: o boletim narra fatos em sequência, sendo predominantemente narrativo.

O caso

Numa sexta-feira à noite. Numa ocorrência, o solicitante diz: "os home tava tudo lá na esquina". Um militar comenta que a pessoa "não sabe falar português" e que o relato perde credibilidade por isso.

Como a variação linguística deve ser compreendida?

Por que essa é a resposta

Trata-se de variedade linguística marcada por fatores sociais e regionais, não de erro: a norma culta é uma variedade entre outras, exigida em contextos formais.

Variar não é errar. O falar do solicitante é uma variedade da língua, marcada por fatores sociais e regionais, e comunica perfeitamente o que ele quis dizer. A norma culta é outra variedade, exigida em contextos formais — como o relatório que o policial vai escrever. Julgar a credibilidade do relato pelo modo de falar é confundir adequação com correção.

E por que as outras não servem

  • Trata-se de gíria, e gíria não integra a língua portuguesa, sendo por isso inadequada em qualquer situação de fala. Não é gíria: é variedade regional e social. E gíria também integra a língua — o que muda é a situação em que ela cabe.
  • É variedade válida da língua e, por isso mesmo, pode ser usada também na redação do relatório oficial da ocorrência. Válida como fala, inadequada no documento. O relatório exige a norma culta — o que não torna o modo de falar do solicitante um erro.
  • É erro de português, e o modo de falar do solicitante compromete a credibilidade do relato que ele apresentou. O relato vale pelo conteúdo, não pela variedade linguística de quem fala. Descredibilizar por isso é preconceito, e faz perder informação útil à ocorrência.

O caso

Numa quinta-feira, no quartel, o Sargento Aristeu abriu a pasta. Quatro trechos de relatórios chegam para revisão: "subiu para cima do muro", "o suspeito foi visto pelo militar que estava armado", "houve um elo de ligação entre os fatos" e "fizemos a apuração dos fatos e das ocorrências ocorridas".

Que vícios de linguagem aparecem?

Por que essa é a resposta

Pleonasmo vicioso no primeiro, no terceiro e no quarto.

Pleonasmo vicioso é a repetição inútil de ideia já contida: subir já é para cima, elo já é ligação, e ocorrências que ocorreram é redundância dupla. Já o segundo trecho tem ambiguidade — a oração "que estava armado" pode se referir ao suspeito ou ao militar. Em relatório, ambiguidade não é apenas deselegante: pode alterar o entendimento do fato.

E por que as outras não servem

  • Todos são casos de ambiguidade. Três deles repetem ideia já contida na palavra anterior — são pleonasmos viciosos, não duplicidade de sentido.
  • O segundo é barbarismo, por erro de grafia. Não há erro de forma na palavra: o problema é a duplicidade de referência do pronome relativo.
  • O quarto é solecismo, por erro de concordância. A concordância está correta; o vício é a redundância entre "ocorrências" e "ocorridas".

Onde isso cai na prova

Este ponto está no edital de CFO, CFS, CFSd, CHO.

Língua Portuguesa · Tipologia e gêneros textuais · Variação e diversidade linguística · Vícios de linguagem

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O que você acabou de fazer

Isso não é uma amostra escrita para o anúncio. É como todo ponto do edital do CFO · CFS · CFSd · CHO é escrito aqui dentro.

Em cada um deles, a mesma corrente — e ela nunca vem pela metade:

  1. O ponto do edital Cada item do seu edital vira uma aula própria. Nada de assunto genérico servindo a cinco concursos.
  2. A ocorrência A situação primeiro, como ela chega na rua ou no processo. Você decide antes de saber a regra.
  3. A lei seca O texto integral do dispositivo, conferido contra a fonte oficial. Sem paráfrase.
  4. A armadilha da banca A palavra que a banca troca para derrubar você — apontada dentro do artigo, com o certo e o errado lado a lado.
  5. A questão Questão da banca e questão nossa no mesmo ponto, cada uma com a origem declarada.
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