MÉTODO AFP

Língua Portuguesa

3 casos de verdade do mesmo assunto, do jeito que a banca cobra. Em cada um: leia, escolha a sua resposta, e só então abra o que a lei diz.

O caso

Numa segunda-feira. Duas versões do mesmo fato: "O militar, sereno, aguardou. A viatura, silenciosa, guardava a esquina." e "O militar aguardou na viatura, que permaneceu parada na esquina."

O que distingue as duas do ponto de vista estilístico?

Por que essa é a resposta

A primeira explora recursos expressivos — ritmo, intercalações e personificação.

Estilística estuda o efeito das escolhas, não a correção. As duas versões estão certas gramaticalmente; o que muda é o efeito: a primeira cria ritmo pelas intercalações e atribui ação à viatura, produzindo expressividade literária. A segunda elimina esses recursos em favor da clareza — que é o que o documento oficial exige.

E por que as outras não servem

  • A segunda é pobre, por não usar figuras de linguagem. Objetividade não é pobreza: é a escolha adequada ao gênero, que exige clareza e precisão.
  • A primeira está errada, porque viatura não guarda esquina. Não há erro: trata-se de personificação, recurso expressivo legítimo, embora inadequado ao texto oficial.
  • As duas são equivalentes, porque transmitem a mesma informação. A informação é a mesma, mas o efeito produzido pelas escolhas é diferente — e é isso que a estilística estuda.

O caso

Numa quinta-feira, na escola de formação, o instrutor Anísio começou a aula. Numa instrução, o instrutor escreve no quadro as palavras "desleal", "guarda-roupa", "boteco" e "PMMG". Ele pede que a turma identifique o processo de formação de cada uma.

Qual é a correspondência correta?

Por que essa é a resposta

Derivação prefixal, composição por justaposição, derivação sufixal e sigla.

Desleal nasce do acréscimo do prefixo des- a "leal" — derivação prefixal. Guarda-roupa junta dois radicais sem perda de forma — composição por justaposição. Boteco vem de "botequim" com sufixo, formando palavra nova por derivação sufixal. E PMMG é sigla: reúne as iniciais de uma expressão maior.

E por que as outras não servem

  • "PMMG" é abreviatura, não sigla. Abreviatura reduz uma única palavra; sigla reúne as iniciais de uma expressão, como PMMG.
  • Todas são casos de composição. Só "guarda-roupa" é composição; as demais resultam de derivação e de siglagem.
  • "Desleal" é composição por aglutinação. Aglutinação exige fusão com perda de elementos, como em "planalto"; "desleal" é derivação prefixal.

O caso

Numa quinta-feira à tarde, numa aula de interpretação de textos em Belo Horizonte, a instrutora Belarmina entregou um parágrafo de quatro frases e pediu o resumo em uma linha. O aluno Damião entregou um resumo que reproduzia os dois exemplos do parágrafo e não dizia qual era a tese. Alegou que os exemplos eram a parte mais concreta e, portanto, a mais importante.

O resumo de Damião cumpre o que se pede?

Por que essa é a resposta

Não: exemplo é ideia secundária — serve para convencer, não para resumir. O resumo deve enunciar a tese e manter as relações lógicas.

Num texto bem construído há uma ideia principal e ideias secundárias que existem para servi-la. O teste da supressão resolve: corte a frase e releia; se o parágrafo continua dizendo a mesma coisa, ela era secundária. Bom resumo enuncia a tese e mantém as relações de causa e oposição, sem nenhum exemplo — porque exemplo serve para convencer, não para resumir.

E por que as outras não servem

  • Cumpre: o exemplo é a parte concreta do parágrafo, e resumo deve preservar o que é concreto. O exemplo é mesmo a parte mais concreta, e é por isso que convence. Mas concretude não é hierarquia: se ele pode sair sem que a ideia principal caia, ele é secundário — e o resumo guarda a principal.
  • Cumpre em parte: bastaria acrescentar mais um exemplo para que o resumo ficasse completo. Acrescentar exemplo é o oposto de resumir. O resumo deve ser bem menor que o original, com as mesmas relações lógicas entre as partes — e não com mais ilustrações.
  • Não, mas por outro motivo: a ideia principal está sempre no tópico frasal, e bastava copiar a primeira frase. Em parágrafo bem escrito a ideia principal costuma estar no tópico frasal, sim. Mas nem sempre: pode vir no fim, como conclusão, ou estar diluída e precisar ser formulada — e é justamente aí que a banca pergunta.

Onde isso cai na prova

Este ponto está no edital de CFO, CFS, CFSd, CHO.

Língua Portuguesa · Estilística · Estrutura e formação de palavras · Estrutura textual: hierarquia das ideias

De graça, antes de você sair

O que você acabou de fazer

Isso não é uma amostra escrita para o anúncio. É como todo ponto do edital do CFO · CFS · CFSd · CHO é escrito aqui dentro.

Em cada um deles, a mesma corrente — e ela nunca vem pela metade:

  1. O ponto do edital Cada item do seu edital vira uma aula própria. Nada de assunto genérico servindo a cinco concursos.
  2. A ocorrência A situação primeiro, como ela chega na rua ou no processo. Você decide antes de saber a regra.
  3. A lei seca O texto integral do dispositivo, conferido contra a fonte oficial. Sem paráfrase.
  4. A armadilha da banca A palavra que a banca troca para derrubar você — apontada dentro do artigo, com o certo e o errado lado a lado.
  5. A questão Questão da banca e questão nossa no mesmo ponto, cada uma com a origem declarada.
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